Axolote, o sempre jovem
O axolote é um dos anfíbios mais singulares e emblemáticos do mundo. Do mesmo género biológico das salamandras, diferencia-se delas pela sua capacidade de permanecer em estado larvar durante toda a vida.
Saiba mais sobre esta espécie que permanece toda a sua vida com um aspeto sempre jovem e em ambiente aquático.
Aspeto e Comportamento
A fisionomia invulgar do axolote deve-se a um fenómeno biológico (designado por neotenia) em que as brânquias externas usadas para respirar dentro de água e a barbatana dorsal que lhes permite nadar agilmente permanecem por toda a vida. Assim, em vez de haver uma metamorfose total para um animal adulto semiaquático ou terrestre, como acontece com outros anfíbios, o axolote mantém uma aparência juvenil mesmo na fase adulta, o que o leva a viver permanentemente dentro de água.
Outro aspeto que se destaca na fisionomia do axolote é a elevada incidência de albinismo. Apesar dos axolotes terem cores escuras – acinzentados, esverdeados e acastanhados que lhe permitem camuflar-se entre o lodo e a vegetação aquática –, é comum haver animais com uma coloração rosada ou esbranquiçada.
Mais semelhante a outros anfíbios é a notável capacidade do axolote para regenerar os membros do seu corpo e até os órgãos vitais! Isto faz da espécie uma das favoritas dos cientistas para estudar medicina regenerativa.
Os axolotes são animais solitários, com pouca interação entre eles, exceto quando começa a “valsa” nupcial: no início desta corte, cada animal toca suavemente na região cloacal do outro, imediatamente antes da cauda, num movimento circular que lembrar uma dança.
Numa única postura, cada fêmea ultrapassa com frequência uma centena de ovos, que são envolvidos por uma camada gelatinosa protetora. Curioso é que estes ovos são depositados individualmente, para que cada um receba a oxigenação necessária à eclosão, e fixados a substratos como rochas ou vegetação flutuante. As larvas eclodem cerca de duas semanas depois.
Habitat e Alimentação
Na natureza, o axolote habita águas frias, claras e ricas em vegetação, que oferecem abrigo e condições propícias à caça. O axolote é omnívoro, mas como vive em exclusivo no meio aquático, alimenta-se sobretudo de pequenos seres vivos que partilham este habitat, incluindo peixes, larvas e crustáceos.
É uma espécie endémica dos grandes lagos centrais do México. Quer isto dizer que só existe naturalmente nestas massas de água doce da região próxima da Cidade do México, onde tem vindo a tornar-se mais raro.
Nestes lagos, outrora entrecortados por ilhas flutuantes (a que chamam chinampas) semeadas pelos habitantes locais, os axolotes encontravam abrigo e alimento. Ali, ocupavam o topo da cadeia alimentar.